DIGITAL
FÍSICO
As formas como nos comunicamos
hoje em dia mudam muito conforme
o ambiente: digital ou físico.
Físico
É da natureza humana
criar grupos.
O ato de formar bolhas e grupos vai muito além e vem de muito antes das redes sociais. Essa tribalização ajuda a nos entendermos no mundo e, inclusive, a entender o outro a partir dos grupos em que está inserido.
No entanto, para furar
bolhas, o ambiente físico
favorece uma conversa
mais amistosa.
As pessoas tendem a aceitar o
diferente com maior facilidade
quando estão interagindo
presencialmente com outro.
Digital
As mídias sociais oferecem a falsa sensação de entrarmos em contato com diferentes pontos de vista, enquanto, na verdade, muitas vezes sequer fazemos escolhas.
As redes sociais atuam como catalisadores de sentimentos já existentes de bolhas.
Há anos que falam dessa questão de como algoritmos determinam o debate público, as nossas relações, a nossa visão de mundo, uma influência gigantesca.”
— ENTREVISTA COM ESPECIALISTA,
Brasil de Bolhas, 2022
A rede social permite que as suas ações com outras pessoas sigam o seu critério de alinhamento e o seu gosto.”
— ENTREVISTA COM ESPECIALISTA,
Brasil de Bolhas, 2022
E inflamam os diálogos entre
as bolhas.
Enquanto para alguns o medo de se manifestar nas redes sociais provoca paralisia, para outros, o anonimato proporcionado pelo virtual faz com que se sintam encorajados a participar das conversas neste ambiente. Este movimento incentiva, muitas vezes, ruído nos diálogos e até a adesão ao extremismo.
0
%
dos brasileiros que têm entre 8 e 34 anos consideram que o debate nas redes sociais é agressivo e intolerante.
– Pesquisa Ipec,
2o semestre de 2021
Eu vejo as pessoas se sentindo imbatíveis na internet, acham que podem falar qualquer coisa que estão pensando, te pegar como um saco de pancadas e que não vai acontecer nada com elas do outro lado do computador, se tornam invisíveis.”
HOMEM, 20 ANOS, SÃO PAULO
— GRUPOS FOCAIS, Brasil de Bolhas, 2022
A lógica da formação de bolhas de diálogo na internet é um fenômeno que impacta de diferentes formas as redes sociais. A partir da análise do tipo de interação entre usuários e o tipo de conteúdo, estudamos a lógica das redes sociais que mais usamos.
Quanto mais a rede se
torna um polo de conteúdo
informativo, maior a
tendência desta rede ter
debates inflamados.
MAIS ENGAJAM
DISCUSSÕES
MAIS USADAS
PARA INFORMAÇÃO
As redes mais fechadas
reforçam as bolhas porque
as pessoas estão
conversando com os seus
próprios grupos.
As redes mais abertas, por
outro lado, favorecem o
embate e confronto entre opiniões diversas.
O ambiente digital pode
favorecer bolhas e até
acentuá-las, mas elas também
existem no mundo físico.
Físico
É da natureza humana
criar grupos.
O ato de formar bolhas e grupos vai muito além e vem de muito antes das redes sociais. Essa tribalização ajuda a nos entendermos no mundo e, inclusive, a entender o outro a partir dos grupos em que está inserido.
No entanto, para furar
bolhas, o ambiente físico
favorece uma conversa
mais amistosa.
As pessoas tendem a aceitar o
diferente com maior facilidade
quando estão interagindo
presencialmente com outro.
No passado a gente se relacionava com a
vizinhança, escola, Igreja, convivendo com
pessoas com valores, crenças e formas diferentes
de ser, eram meios de socialização que você
tinha que lidar com vários tipos de pessoas.”
— ENTREVISTA COM ESPECIALISTA,
Brasil de Bolhas, 2022
Meu sogro vai votar no outro
candidato, respeito a opinião dele,
mas eu não vou chegar em sua
casa xingando, porque eu não
vou mudar a opinião dele.”
HOMEM, 37 ANOS, PARAÍBA
— GRUPOS FOCAIS, Brasil de Bolhas, 2022
→ NUM DISTANTE 1954
O experimento social ‘The Robbers Cave’ mostra a
rapidez com que as pessoas criam grupos sociais. Ao
dividir crianças de 11 anos em dois grupos, o primeiro
impulso das pessoas estudadas foi defender o grupo
ao qual pertenciam, encontrar num outro um inimigo
comum e formar uma bolha de proteção e apoio em
seu grupo.
O estudo faz parte de uma série
conduzida por Muzafer Sherif e
seus colegas entre os anos 1940 e
1950 para testar uma das teorias
do pesquisador, conhecida como
“Teoria do Conflito Realístico”.
No presencial, mais do que
o resgate ao respeito,
muitas vezes eliminado nos
ambientes virtuais, o olho
no olho impulsiona uma
conexão afetiva de forma
mais rápida e profunda.
0
%
dos brasileiros acham mais
provável se envolverem
numa discussão saudável
sobre política no ambiente
físico.
– Pesquisa Quantitativa,
Brasil de Bolhas, 2022
Eu acho que o presencial tem uma
conexão sentimental para as pautas
que no on-line não tem.”
MULHER, 18 ANOS, SANTA CAtarina
— GRUPOS FOCAIS, Brasil de Bolhas, 2022
Quando eu converso com um
amigo cara a cara, é mais fácil
de entender mais uma situação.”
MULHER, 19 ANOS, BAHIA
— GRUPOS FOCAIS, Brasil de Bolhas, 2022
O que vimos é que existem
nuances importantes na forma
como as pessoas se comunicam
no ambiente virtual ou físico.
DIGITAL
Conversas mais
abertas com maior
alcance de pessoas
FÍSICO
Conversas mais
restritas a um
grupo menor
Mais frio e distante,
resultando em discussões mais
inflamadas e menos produtivas
Mais afetivo e próximo,
inibindo reações
mais inflamadas
Como podemos melhorar o
diálogo nesses ambientes?
Referencias além
das redes sociais
Amplie os canais de buscas de referência e informações para não se limitar apenas às redes sociais - já que elas tendem a entregar apenas conteúdos alinhados ao posicionamento de cada um.
Aplicação da
situação no off-line
Antes de interagir no virtual, imagine a mesma situação no ambiente físico e faça apenas o que faria nos dois ambientes.
Espaços menores
e seguros
Para conversas mais conflituosas e/ou polêmicas, escolha locais menores (e com menos gente) e que passem sensação de segurança.
Conversas cotidianas
No dia a dia, busque conversar com as diversas pessoas que cruzam os seus caminhos.
Quanto mais o poder de influência acontecer de
forma horizontal e as pessoas se enxergarem como
semelhantes, melhor a qualidade do diálogo.
Espaços
AGREGADORES
e UTILITÁRIOS
Crie ambientes acolhedores em que as pessoas discutam suas ideias de igual para igual, sem sentirem medo de serem oprimidas ou atacadas.